sábado, 1 de janeiro de 2011

2011 com um sonho

Feliz Ano Novo, gente!


Desejo a todos nós o bem!


Mas tenho alguns outros desejos, também. São desejos públicos.


Participei hoje – virtualmente – da cerimônia de posse da Presidenta da República, Dilma Roussef. Fiquei contente, para começar, de ser testemunha ocular - e enquanto ainda enxergo bem – de mais um momento histórico, que tem um valor ético para além da moral local (isto é, não importa se a candidata era ou não essa, que uma mulher suba ao Palácio do Planalto é um feito marcante, como o foi a posse do Obama e também a do Lula, claro). Considerei, portanto, uma sorte ter vivido esse momento, se não por nada, por pura sorte, mesmo. Seria detestável viver em uma época onde nada tivesse tido a chance de apresentar uma mudança.


E, claro, a grande beleza é essa. É possível mudar. Estamos mudando, constantemente, e até mais rápido. Estamos em crise. Ela engana, porque também é rápida, dinâmica, camaleônica. Se apresenta a cada hora de uma maneira diferente: simbólica (queda das torres), mercadológica (mercados), informação (wikileaks). Será que é mesmo diferente, uma da outra? Ou serão todas filhas de uma só: crise de valores?


Pensando nisso, e encantada por fazer parte desse momento crítico, literalmente, onde assume a presidência desse incrível país alguém com tantas células parecidas com as minhas, portanto minha conterrânea... não, minha coetânea... não, minha cobiótica - pensando nela e em mim eu quis imaginar que esse governo poderia, se quisesse, fazer um plano de governação baseado em valores. Partilho aqui com vocês essas idéias, que são muito simples em compreensão e também em aplicação; servem para o governo, mas também para a comunidade, para a corporação e para o âmbito privado. Espero que gostem.


GOVERNO DE VALORES
Cada ano trabalharia apenas um valor e todas as suas ações e planejamentos deveriam refletir a escolha feita. Assim, todas as áreas de atuação teriam um valor final pelo qual se pautar, o qual seria também o instrumento de medida do sucesso das operações. Um bem intangível que seria transformado em tangível no final de cada ano.
Se fosse aplicado por outra instância que não a governamental, os prazos poderiam ser definidos de acordo com o escopo próprio. Por exemplo, talvez em uma família os prazos possam ser mais curtos, ou mais flexíveis, dependendo da dificuldade específica de aplicação.


1o. ano: GENTILEZA
Já pensou se todo mundo tentasse ser gentil a maior parte do tempo? Se a gentileza fosse o único trato universalmente aceitável, toda a grosseria cairia por terra. Muitas relações se facilitariam - inclusive as governamentais. O governo poderia conseguir maior governabilidade. Perderíamos memoráveis episódios de horror na TV Senado, Câmara e afins, mas em prol de uma tentativa de compreensão mútua – que, muitas das vezes, é o que basta para que algo saia do papel e evolua para onde tem que evoluir – para fazer o bem.


2o ano: HONESTIDADE
Seria uma conseqüência exeqüível, diante do primeiro ano de treino, por dois motivos:
  1. todos estariam minimamente treinados a atuar mirando um valor, o que levaria as pessoas a sairem um pouco do próprio umbigo e imediatismo;
  2. esse treino, tendo inclusive modificado alguns hábitos antigos, permitiria às pessoas se sentirem mais aptas a responder pelas suas escolhas, o que as levaria a poder optar pela honestidade.
Toda e qualquer relação se beneficiaria do trato da honestidade. Com isto, não estou querendo dizer que não haja ocasiões em que a mentira não parece ser a melhor opção. A vida é muito mais dinâmica do que uma novela e honestidade não é apenas dizer a verdade. Acima de tudo, é rumar na direção deste valor, não o perdendo de vista. Só dizer a verdade pode ser insuficiente, e portanto maléfico, tanto quanto só dizer a mentira.


3o. ano: RESPEITO
Claro que fica mais fácil respeitar quem é gentil e honesto. Bem como é mais fácil também respeitar quando se é gentil e honesto. O respeito é importante, porque permite que enxerguemos no outro aquilo que mais temos dificuldade de ver: o outro mesmo. Em geral, em temos atribulados, corridos e difíceis como o nosso, só temos olhos de ver o que queremos para nós, traçar metas para alcançar aquilo, voltar para casa e dormir para acordar de novo para se salvar desse mesmo rodamoinho. O respeito traz para nossa esfera o outro. O outro tem que entrar. E prepara para o quarto valor, o último do "mandato".


4o. ano: INCLUSÃO
Sim, porque como seria possível pensar em inclusão sem gentileza, honestidade, respeito? Sem valores trabalhados, entendidos, apreendidos, não há inclusão possível. Há ajuda, boa vontade, e mesmo muito trabalho – braçal, mental – de pessoas que percebem a importância desse conceito. Mas, francamente, como é possível que não percebamos todos? Eu diria que apenas porque não nos damos a oportunidade sincera de pensar que amanhã poderíamos ser nós próprios os excluídos. Outro mundo é possível, sem dúvida, e tem que ser melhor que esse. Isto é, tem que incluir todas as pessoas. Todas.


Com essas reflexões, às quais não chamarei, de modo algum, de utópicas, desejo a todos um ano bom, isto é, que sejamos bons para esse ano de 2011.

5 comentários:

  1. Ótimo 2011 pra você também Flávia! Estamos num novo ciclo. As mulheres são as responsáveis pelas principais mudanças que estão acontecendo em todas as áreas. A presidenta é um forte indício de que as coisas rumam para um mundo melhor para todos. Quanto ao Governo de Valores sinto-me incluso e seguirei com fé. "A mente é como um paraquedas: só funciona quando aberta." (Lorde Thomas Dewar)

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  2. Um bom 2011!!! espero que este ano, haja muitas mudanças boas e possitivas!!! e torcer para que a nossa presidente possa ir para um rumo melhor !!!

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  3. Oi Flávia,
    Assisti tua entrevista no Jõ,e achei oportuno compartilhar contigo sobre um conhecimento que talvez possa lhe ser muito útil como complemento pra toda a bagagem que já te foi dada pela estudo da Logoterapia.
    Trata-se da Cosmoterapia:
    O despertar da consciência cósmica,ou seja,a consciência do seu Potencial Divino.
    A clarividência a respeito de que cada um de nós traz também consigo um código genético espiritual,que contém todas as informações necessárias para o discernimento a respeito de quem somos,de onde viemos,qual o nosso propósito na dimensão terrestre e quais poderão ser os nossos destinos pós vida terrena,em consequência de nossas boas ou más escolhas.
    Somos seres eternos num processo evolutivo,que perpassa várias existências até o alcance da plenitude de consiência.
    Óbviamente,dentro disto,há que considerar que o patamar de evolução de cada um está intrinsecamente ligado ao contexto do universo de onde se vem e onde se nasce aqui,e de que modo cada um tirará proveito dessas realidades passadas e presentes.
    O Grande Avatar,Jesus Cristo,dois mil e alguns anos atrás,deu-nos uma aula de Cosmo e de Logo Terapia,em seu pronunciamento entitulado: "O Sermão da Montanha" que está na Bíblia sagrada,no livro do apóstolo Matheus,nos capítulos 5 - 6 e 7 até o versículo 12.
    Lá ele já nos ensina sob que condição nós nos colocamos aos nos permitirmos corromper a ética e os valores,e que consequências isto acarretará a nós individualmente e a tudo o que nos cerca.
    Fala sobre amor,retidão,respeito e de um modo muito especial sobre inclusão.
    Existe um filósofo,criador da Filosofia Univérsica e autor de uma vasta bibliografia que eu te recomendo.
    Chama-se Huberto Rohden,cujos livros são editados pela Martin Claret.São livros baratinhos,porém de valor inestimável.
    Sou assídua leitora de sua obra e estou te recomendando porque creio que descobrirás um elo imprescindível à compreensão de que rever valores e corrigir condutas não só acarretará benefícios neste plano da vida,mas por toda a eternidade.
    De que estamos vivendo uma fração de momento de nossas trajetórias rumo ao ápice da plenitude de consciência.E que a velocidade com que essa escalada ascencional se processa é produto de nossas ações e reações diante das provas que a existência nos reserva.
    Me chamou a atenção o fato de você ser Judia.
    Sou uma...digamos curiosa sobre religiões e pesquiso tudo o que consigo fazer chegar ao meu alcance sobre o tema,e terei enorme prazer em trocar experiências contigo,caso se interesse.

    Me chamo Sandra Rozados,também fui profissional da música por mais ou menos quinze anos,como cantora e compositora e hoje sou fotógrafa.Sou de Salvador,Bahia,e autodidata no estudo da Cosmoterapia e da Filosofia Univérsica de Huberto Rohden.

    Super abraço,te desejo um ano produtivo e também me encontro na torcida pra que uma Mulher possa fazer a diferença na direção desta Nação.

    Sandra_rozados@hotmail.com
    (71)99992977
    Caso queiras me adicione no Facebook,ok?
    Ahh,postei um comentário sobre sua entrevista com o Jô no Youtube.

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  4. O título do primeiro livro dele que li,inclusive,é exatamente sobre o maior e mais contundente tratado de ética já pronunciado na face de toda a terra: "O Sermão da Montanha"

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  5. Gente, obrigada pelos comentários. Queria complementar apenas dizendo que, para além de todas os caminhos, lanternas e vagalumes que encontramos por aí, é preciso diariamente decidir-se pela mudança, não acham? Penso que é uma sorte termos à disposição a palavra, como a Sandra mostra, de pessoas que nos ajudam a nos mantermos firmes em nosso propósito de evoluir, e é isso mesmo que desejo a todos! Nos vemos por aqui!

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